Como o som pode afetar nossa percepção da realidade.
Fiz uma experiência: andei pelas ruas movimentadas de Botafogo ouvindo nos headfones a fria voz do sistema de alerta e controle urbano no enredo de Half-Life 2. Foi terrível. Me dei conta que estava com a testa franzida, olhando para as pessoas como se realmente estivessem numa sociedade com liberdade civil ilusória... e me dei conta que talvez não estejamos muito longe disso.
Chegar em casa. Onde você não é gordo, baixo, alto, magro, rico, popular, chato, etc, etc, etc. Você é só você.
Chegar em casa. Seus filhos vem correndo contar a coisa mais incrível que aconteceu, porque para eles você é a pessoa mais importante do mundo. Você é só você.
Chegar em casa. O beijinho da sua metade, e o relatório de coisas que deram certo ou errado, de tudo que terá que ser agendado, consertado, realizado e alterado, porque para sua metade, você é a pessoa capaz de resolver todos os problemas. Você é você.
Chegar em casa é se encontrar consigo mesmo, é poder dar valor a quem mais te dá valor: sua família. Porque, em casa, você é você.
O "Trenzinho Villa-Lobos", da Cia Articularte de Bonecos, mescla a música de Heitor Villa-Lobos e bonecos com visual modernista para encantar crianças e adultos em espetáculo sofisticado e elegante.
Já estava na hora de levar nosso pequeno ao teatro.
Entretanto, como ele tem menos de 3 anos de idade e não consegue ficar sentado parado por mais de 30 minutos mesmo diante de seus desenhos favoritos, não estávamos muito animados com a perspectiva.
Aos poucos fomos experimentando com cinema, apresentando a ele filmes e animações de 1 hora de duração, mas com o apelo de elementos do interesse dele: carros, gatos, trens, e por aí vai.
Mas como levá-lo ao teatro? A perspectiva do teatro infantil aqui no Rio tem sido desanimadora. Fiquei semanas procurando alguma coisa que nos fizesse vencer o desânimo de gastar muito caro (peças infantis com entrada a 50 reais?!!!) em espetáculos de qualidade artística duvidosa, apenas para sair no meio. Sinto muito, eu me recuso a gastar um ingresso de cinema para ver um filme ruim, que dirá uma peça infantil ruim...
Assim, quando vi na programação do 49º Festival Villa-Lobos o espetáculo de bonecos "O Trenzinho Villa-Lobos", com apresentação única no Teatro Carlos Gomes e ingressos a preço popular, não tive dúvidas: comprei ingressos rapidamente e avisei aqui em casa que iríamos ao treatro em grande estilo no sábado à tarde.
E que estilo! A começar pelo teatro, desde que foi renovado, já assistimos a alguns musicais no Carlos Gomes. São sempre experiências ótimas, o palco é muito bom e a acústica excelente. Além do que, a localização no Centro Histórico do Rio já é um passeio em si, ótimo para divertir os pequenos!
O espetáculo é baseado no estilo do bunraku japonês, ou seja, manipulação de bonecos em que os manipuladores usam roupas escuras para "sumir" no fundo. Os outros tipos de teatro de marionetes que me desculpem, mas o bunraku sempre será o meu favorito: se os marioneteiros são bons, a marionete ganha vida e torna-se um ator, e você esquece que está sendo manipulada por 3 pessoas logo ali atrás.
Assim chegamos propriamente a O Trenzinho Villa-Lobos. Com trilha musical ousada para um espetáculo infantil, totalmente de composições de Villa-Lobos e sem nenhuma "musiquinha fofa" cantada para crianças, a Companhia Articularte pinça livremente cenas e elementos da infância do maestro genial para compor uma fantasia que pretende mostrar o despertar do interesse do menino Heitor pela música e de onde vieram alguns de seus temas.
Assim, lá estão os instrumentos musicais do pai sisudo, a tia que o apresenta a Bach, a viagem de trem e a mudança para o interior de Minas, um encontro fantasioso com um uirapuru, elementos de suas músicas que pontuam a narrativa. Essa, aliás, não é propriamente uma história linear, mas sim uma sucessão de episódios que culminam em um Sonho Musical espetacular.
Aliás, o Sonho e a concepção visual dos bonecos trazem para o espetáculo o Modernismo da Semana de 22do qual Villa fez parte. Está tudo lá: a mãe e a tia têm partes de instrumentos musicais, o pai de Villa é uma simplificação sensacional de cabeça, pés e mãos de boneco tendo um livro de História da Música como corpo, e o Sonho é uma viagem por vezes surrealista, outras vezes francamente cubista, de personagens que interagem com o pequeno Heitor, e nessa interação vão construindo a "explicação" de suas escolhas e seu caminho de vida pela música.
Eu disse Modernismo? Sim, e não poderia faltar o grande Manuel Bandeira, com seu Trem de Ferro lindamente interpretado lá pelo meio do Sonho. Aliás, a presença do trem é o fio que "liga" o espetáculo, e que culmina em uma interpretação emocionante do Trenzinho Caipira, cantada belamente pelos marioneteiros.
Vocês podem questionar, mas um espetáculo com uma proposta tão sofisticada e elegante consegue entreter os pequenos? SIM! É bem verdade que havia mais adultos do que crianças, mas as crianças presentes simplesmente AMARAM o espetáculo, incluindo o nosso pequeno, que ficou uns 35 minutos iniciais tão completamente hipnotizado que nem tentou sair da cadeira. E os 15 minutos seguintes ficou em pé, um pouco agitado e brincando, é verdade, mas sempre prestando atenção na cena, na história, nas músicas...
Prova de que arte para crianças não precisa ser uma sucessão de "musiquinhas fofas" ou histórias com narrativa de teor artístico duvidoso, subestimando a capacidade dos pequenos de vivenciar arte enquanto se divertem.
Ficha técnica:
Texto e Direção: Dario Uzam
Bonequeira: Surley Valério
Direção Musical: Chico Botosso e Mariana Anacleto
Iluminação: Hernandes Oliveira
Cenografia: Cia. Articularte
Elenco: Renato Bego, Surley Valério, Paulo Mendonça, Cida Lima, Andrea Cruz (Rossana Arouck).
Lars von Trier traz com Melancolia um novo momento do cinema alternativo para as massas.
Melancolia é um filme para ser visto em telas grandes, gigantes de preferência, como as do cinema. Visualmente o filme explora ricamente os detalhes em todas as cenas, seja com ou sem efeitos especiais. Há detalhes dos detalhes. Realmente impressionante.
Não li nenhuma entrevista sobre o roteiro, mas tenho a impressão que a primeira do parte do filme foi criada apenas para sustentar a segunda parte, dando a profundidade necessária aos personagens.
O prólogo do filme tem cerca de sete minutos, ao som de Tistão e Isolda e com imagens um ultra slow-motion, numa linda colagem áudiovisual que já pode ser considerada antológica. Já na primeira parte da história temos o casamento da personagem Justine, interpretada por Kirsten Dunst, e sua família problemática (destaque para a cena da troca dos livros na biblioteca). A segunda parte mostra a ansiedade da espera de um grande evento cósmico em andamento.
Lars von Trier é um autor independente que atinge grande público, e Melancolia expressa a nova cara do cinema alternativo em alta-definição.
Quando eu era criança, um dia eu estava conversando com outros coleguinhas e junto com o tio de um deles. No dia anterior havia passado na Sessão da Tarde o filme "A Lenda do Revólver Dourado", onde um pistoleiro cego ensinava habilidades secretas para o herói da história, e além do mais eu tinha um lindo revólver dourado com espoletas! Eu me impressionei com o mestre cego que dizia que "ser cego tem suas vantagens", se referindo a ter os outros sentidos muito mais aguçados do que alguém que tem a visão perfeita. Repeti a frase para o tio do coleguinha, e ele me cortou enfaticamente, dizendo que isso era uma bobagem, porque o cego "tem a pior desvantagem e vai sempre depender de alguém". Aquela resposta me chocou, e nunca consegui concordar com ela.
Passados mais de 30 anos daquela conversa, hoje penso que ambos estávamos um pouco certos e errados. O livro "Ensaio sobre a cegueira" mostra num conto sombrio os vários tipos de cegueira, não só a visual, e hoje entendo que o "cego inválido" é qualquer um que não queira "ver" o que está diante de si, mesmo que essa cegueira o tenha fortalecido. Como um valente catador de papel, que carrega toneladas de peso por dia porque não enxerga que poderia ganhar o mesmo dinheiro de maneira também honesta mas com menos esforço.Ou o empresário rico e famoso que não enxerga que não compartilhar sua riqueza um dia poderá ser sua ruína.
Chego aos 41 anos "tateando" no escuro em várias áreas da minha vida, mesmo que em outras eu esteja "enxergando" claramente.
Quis ter filhos aos 21 anos, mas não foi assim que aconteceu. Hoje meus nenéns seriam adultos com quase 20 anos, e talvez eu não estivesse tão fatigado. Como será daqui a 10 anos? Meu querido filho que agora tem 2 anos terá então 10 anos, e eu 50! Será que vou aguentar o pique? O que sei é que não posso mudar o que já passou, só aproveitar cada momento do que ainda virá.
Quem poderia imaginar que eu gostaria de um emprego fixo? Nem eu mesmo! Mas o fato é que amo o que faço na empresa onde trabalho, e é uma surpresa para mim ir trabalhar em escritório (na verdade um loft com vista panorâmica da Baía da Guanabara) e me sentir tão jovem e cheio de iniciativa.
Parabéns para mim, pelos meus 41 anos, e que venham os anos seguintes! Estarei pronto para eles: ainda tenho o meu revólver dourado.
Como resgatar um sabor da memória de infância: a famosa receita do Keis Küchen da D. Clara (ou algo bem parecido)
Muita gente vai achar estranho tanto trabalho para fazer uma simples torta de queijo, ou cheesecake como é conhecido. Mas a essas pessoas, eu respondo: não é um cheesecake qualquer! Para início de conversa ao pé do fogão, nem mesmo é um cheesecake, mas um Keis Küchen (em íidiche, bolo de queijo), sabor amado de momentos mágicos de infância na casa da avó que sempre tinha uma guloseima no forno e balas de leite da Kopenhagen na bombonière.
Por que essa receita é tão especial, perguntaria você? Porque não existe! Vovó Clara era TOTALMENTE (assim mesmo, em maiúsculas) avessa a receitas: ela só preparava a comida sem medir nada, "na orelhada", como dizia a minha mãe. Aliás, minha avó Lola, a materna, fazia a mesmíssima coisa, o que me faz concluir que as mulheres européias da geração anterior à 2a Guerra Mundial traziam seus livros de receita completamente na memória.
Assim eu, 2a geração nascida aqui no Brasil, um dia (acho que aos 14 ou 15 anos de idade) resolvi aprender com minha avó a receita de Keis Küchen, palavra mágica por toda a família, pois é um bolo de queijo em duas camadas (semelhante ao cheesecake) molhadinho, com passas, feito com ricota. Que aliás, não era uma ricota qualquer, dessas que se compra no supermercado, e que às vezes até está boa, outras vezes intragável de tão seca e sem gosto.
Não. A ricota da vovó era feita por ela mesma, então o bolo levava simplesmente uns 8 dias para ficar pronto, pois era esse o tempo necessário para talhar o leite, deixar coalhar, colocar no lenço e deixar pingando na torneira até se transformar em uma ricota que era comer um pedaço para cair de joelhos: cremosa, aerada, saborosa, e que dava um toque especial à receita.
Assisti a tudo, firme e forte, de caneta e bloco anotando cada detalhe. Só que na primeira e única vez que tentei reproduzir, uns 7 ou 8 anos depois, não tive tempo de fazer o queijo do zero (quem tem, hoje em dia?) e comprei uma ricota pronta no supermercado. Gente, que decepção! Daí desisti de tentar novamente, achando que não tinha jeito.
Até que alguns anos depois uma conhecida me deu o toque: bater a ricota com cream cheese no mixer para ficar exatamente com a textura do queijo da vovó e seguir a receita... receita? Onde foi mesmo que eu guardei o papel onde tinha anotado a receita?
E assim retornamos a 2010, quando um dia de bobeira na Internet dei de cara com uma receita de "torta de ricota" que parecia MUUUUITO com a receita da minha avó. Que com algumas alterações para ficar exatamente no ponto, virou isso aqui:
Keis Küchen (d'après D. Clara, mas com um toque de 2010):
Massa:
1 e 1/2 xícaras farinha de trigo
1/2 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de manteiga ou margarina (eu raramente uso manteiga)
2 gemas*
Recheio:
1 queijo ricota pequeno inteiro, normalmente têm de 300 a 350g (se tiver menos de 340g, não adicione as 2 colheres de sopa de açúcar)
1 pote de cream cheese (cerca de 200 g)
2 colheres de creme de leite
1 colher de sopa (rasa) de farinha de trigo
1/2 xícara + 2 colheres de sopa de açúcar
100g de passas sem sementes
1 pitada de canela
algumas gotas de baunilha
1 gema
1 clara batida em neve
Modo de fazer:
Misture os ingredientes da massa até formar uma massa lisa e forre uma forma de fundo removível (cerca de 22 cm) com ela. Reserve.
Bata a ricota e o cream cheese na batedeira ou mixer, até ficar bem aerado. Misture o açúcar, o creme de leite, a farinha de trigo, a gema, a canela e a baunilha. Bata as claras em neve e incorpore cuidadosamente, para fazer um creme bem aerado. Adicione as passas e misture levemente. Derrame sobre a massa e leve ao forno quente. A torta estará pronta quando puder espetar um palito e sair seco (fica levemente dourada).
É isso aí, gente. Para comer rezando, feliz da vida.
* Se você chegou até aqui, a dica e os próximos capítulos: guarde as claras que você separou no freezer. Quando juntar 6 claras, use para preparar um delicioso pudim de claras com calda de café. A receita eu dou depois...
Quando meu filho era nenenzinho, a chupeta fazia companhia para ele em vários horários do dia. Mas preocupado com o vício em chupeta (sempre temi isso), fui acostumando meu pequeno José a só "precisar" dela para ir dormir.
Ele cresceu, e sendo um neném grande logo precisamos comprar uma chupeta para seu tamanhão, e optamos pela Philips Avent Noturna (modelo de 6 à 18 meses). Aqui no Brasil não achávamos então importamos da Inglaterra pela One Click Pharmacy. Além de ser livre de BPA, ela tem formato que impedia de que ele tentasse enfiar parte da chupeta entre a gengiva e o lábio inferior, além de brilhar no escuro permitindo que ele mesmo achasse a chupeta durante a noite. Como a embalagem vem com duas unidades, se a azul caísse no chão durante o sono então era só dar a branca (que levávamos para a rua).
Mas aos 21 meses e com seus molares crescendo, as chupetas se tornaram objetos de mastigação. Resultado: com a segunda chupeta mastigada, foi hora de dar tchau para as chupetas. O diálogo foi:
- "Tchitchi!", falou, um tanto zangado, meu filho apontando para a prateleira onde ficava a chupeta.
- "Não, você mastigou a chupeta, então não precisa mais dela", disse eu com tom sério.
Fiz carinho, cantei para ele, e... dormiu! Portanto, papais e mamães, não tenham medo de tirar a chupeta, basta acostumar o bebê a precisar cada vez menos dela.
Próxima etapa: tirar a grade e descer o berço para virar caminha.
A ideia é os bancos terem uma linha de crédito padrão para novos negócios, com taxas de juros de 2 a 4% e prazos de carência de 3 a 6 meses. Bastaria a startup optar pelo banco de sua preferência e assim crescerem, gerarem propriedades intelectuais, criarem empregos e propagarem novas ideias.
Dicas de decorações, receitas e um pouquinho da história de Chanucá, a Festa das Luzes
Dentre todas as festas judaicas, Chanucá (pronuncia-se Ranucá, com um R gutural) é uma das minhas favoritas. Talvez seja mesmo a minha preferida. É uma celebração instigante, pois comemora a derrota de um rei que tentou exercer o domínio sobre povos conquistados a partir da negação da cultura e da religião dos mesmos. A tentativa de imposição do helenismo sobre os judeus resultou na destruição e profanação do templo e seus altares, além da morte de diversos revoltosos. Os conflitos continuaram, com a formação de um pequeno exército, e os helenizadores eventualmente foram derrotados e o templo reconstruído.
Os judeus consideram que a história envolve diversos milagres, desde a derrota de um poder hegemônico por um pequeno exército, até o milagre ocorrido no templo, quando o pouco óleo consagrado que restou da destruição e que deveria durar apenas 1 dia foi suficiente para acender a menorá durante oito dias, tempo suficiente para a produção adequada de mais óleo para mantê-la acesa dali em diante. (Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chanucá)
Para os cabalistas, Chanucá é uma das festas mais importantes, senão a mais importante, pois é dito que "com o advento da Era do Maschiach, a única festa que restará para celebrarmos será Chanucá".
Festa das Luzes, Festa do Milagre ou, para uns, apenas o equivalente judaico para o Natal, o fato unânime é que Chanucá é uma festa para as crianças, e este ano certamente ficaremos muito felizes em comemorá-la com nosso pequeno, que já tem 1 ano e 9 meses, e mesmo não entendendo quase nada do que está ocorrendo, adora assistir à mamãe acendendo as velas e entoando as bênçãos correspondentes, premiando-nos com um sorriso luminoso. Ano que vem, D's queira, ele estará ajudando a mamãe a acender as velas, já que a tarefa de acender as luzes de Chanucá é primordialmente das crianças, mesmo que seja com a ajuda dos pais.
E para aumentar o brilho dos olhos e do sorriso dele, este ano resolvi pesquisar algumas maneiras de reforçar e mostrar a ele a alegria e os símbolos da celebração de Chanucá (além do tradicional acendimento das velas), já que ele convive com muitas pessoas que celebram o Natal, com todos os seus símbolos.
Pensando nisso, encontrei algumas ideias e tutoriais de enfeites com lâmpadas pisca-pisca e enfeites principalmente de origami, que são fáceis de fazer e ensinar às crianças (se os seus pequenos já não são tão novinhos como o meu):
Na Casa e Jardim, um tutorial fantástico de como customizar um fio de leds pisca-pisca (a artista usa o tema "primavera", mas além das flores, use também os símbolos judaicos e de Chanucá, como estrelas de David, sevivon (dreidel), etc):